Dia do Físico celebra profissionais por trás da tecnologia, IA e avanços da medicina
Professor da UFG explica como a Física influencia desde exames médicos até inteligência artificial e aponta os desafios da carreira científica
Texto por: Felipe Cordeiro

Celebrado em 19 de maio, o Dia do Físico - e da Física - chama atenção para uma profissão presente em áreas decisivas da vida moderna, embora muitas vezes distante dos holofotes. Dos hospitais às empresas de tecnologia, passando pela indústria aeroespacial e pelos laboratórios de inteligência artificial, físicos participam diretamente da criação de soluções que impactam milhões de pessoas diariamente.
A presença da Física no cotidiano vai além das fórmulas ensinadas nas escolas. Tecnologias como internet, chips eletrônicos, exames de imagem, telecomunicações e sistemas de energia surgiram a partir de pesquisas desenvolvidas ao longo de décadas. Hoje, profissionais da área também ocupam espaço crescente em setores ligados à computação quântica, ciência de dados e desenvolvimento de novos materiais.
Para o professor e físico da Universidade Federal de Goiás, Giovanni Piacente, o trabalho de quem atua na área exige investigação constante e capacidade de adaptação. “O físico é, antes de tudo, um profissional que resolve problemas complexos, capaz de migrar entre áreas diferentes porque conhece princípios fundamentais e domina a arte de construir modelos”, afirma.
Segundo o pesquisador, a atuação profissional deixou de estar restrita às universidades há muitos anos. Atualmente, físicos trabalham em hospitais, no mercado financeiro, em empresas de tecnologia, na produção energética e em projetos voltados à inovação industrial. A expansão da inteligência artificial e da análise de dados também abriu novas possibilidades para profissionais com formação científica e raciocínio matemático avançado.
Ciência no cotidiano
A influência da Física aparece em praticamente todas as áreas ligadas ao desenvolvimento tecnológico. Equipamentos médicos como tomografia, radioterapia e ressonância magnética nasceram de pesquisas científicas conduzidas por físicos. O mesmo acontece com lasers, fibras ópticas e semicondutores, componentes fundamentais para o funcionamento de celulares, computadores e redes de comunicação.
Para Giovanni, a ciência também possui impacto direto na formação social e na construção do pensamento crítico. “A Física molda o pensamento social. O método científico e a capacidade de questionar dogmas são antídotos contra a desinformação e o negacionismo”, destaca.
O pesquisador observa que discussões relacionadas às mudanças climáticas, segurança energética e prevenção de desastres naturais dependem fortemente da produção científica. Modelos matemáticos usados em previsões meteorológicas e estudos ambientais são exemplos da aplicação prática da Física em decisões que afetam cidades inteiras e políticas públicas.
O avanço acelerado da tecnologia também ampliou a procura por profissionais capazes de interpretar dados complexos e desenvolver soluções inovadoras. Em empresas de tecnologia, físicos atuam em projetos ligados à automação, aprendizado de máquina e desenvolvimento computacional, áreas que ganharam força nos últimos anos.
Desafios da formação
Apesar das oportunidades, a formação em Física ainda é vista como uma das mais exigentes do ambiente universitário. Segundo o professor, o principal desafio enfrentado durante sua trajetória acadêmica foi aprender uma nova forma de pensar e lidar com a frustração diante de problemas difíceis.
“Você passa muito tempo sem entender, até descobrir que questionar até as evidências não é falha, é método”, explica o docente. Para ele, o processo de aprendizagem exige disciplina constante, curiosidade e dedicação diária aos estudos, principalmente nas áreas de matemática e programação.
O físico também alerta para a necessidade de aproximar estudantes da pesquisa científica desde cedo. Iniciação científica, desenvolvimento de projetos e contato com laboratórios ajudam a compreender como funciona a rotina da profissão e ampliam as possibilidades de atuação no mercado.
Ao falar sobre quem pretende seguir carreira científica, Giovanni defende uma formação baseada em persistência e interesse genuíno pelos problemas do mundo. “Física é esforço, dedicação e persistência. Antes de pensar em títulos, é preciso descobrir quais problemas do mundo fazem seus olhos brilharem”, conclui.
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